Foi publicado no jornal El Universo, 24 de julho 2011, um fato deprimente: no mes passado se completou quatro anos que o Decreto Executivo 486 que permite a pesca incidental de tubarões no Equador, desde então, o número registrado de animais capturados aumentou de 40.240 durante setembro a dezembro de 2007, para 175.736 tubarões em 2008, no seguinte ano 184.667, já entre janeiro a abril de 2010 a Subsecretaria de Pesca informou o dado de 71.676 animais. O diretor geral de pesca, Hugo Vera, declarou “Temos somente 57 inspetores para todos os portos. É impossível registrar toda a carga”.
Pesca de tubaroes no litoral equatoriano. Fonte: El Universo.
As barbatanas são vendidas de US$25 a US$50, separadamente e a US$100 o jogo (quatro barbatanas), afirma um comerciante de porto Santa Rosa.
Barbatanas vendidas. Fonte: El Universo.
Miguel Macías, vice-presidente da Coopertativa de Pesca Santa Rosa de Salinas, Santa Elena, diz ter um controle, mas no caso de nao encontrar nenhum pescado, para cobrir o custo de saída de US$250, pescam em duas horas 20 tubaroes, incluindo adultos!!
Que algumas populaçoes de tubarao estao em risco, todos nós sabemos. Quem teve aula de zoologia aquática com a Profª. Sonia Buck sabe: que estes animais estao no topo da cadeia alimentar, por isso, eles contem certa quantidade de metal pesado, principalmente o mercúrio que é nocivo à saúde. E que o famoso charuto (cortam todas as barbatanas do tubarao e o jogam vivo no mar, após algum tempo ele morre por nao conseguir nadar) é cruel. E nao, as barbatanas nao sao afrodisíacas! E nao, eles nao comem carne humana. Os filmes que já aterrorizaram as telas nao sao reais! O que acontece é que eles confundem os surfistas com tartarugas, mas ao sentir o gosto do sangue humano eles largam... claro, uma dentada de tubarao nao deve ser lá muito agradável, porém alguém já soube de alguem foi comido inteiro?
Bem, já vai fazer quase um mês que estou aqui, portanto tenho que começar a contar essa aventura....
Tudo começou em maio, numa salinha no 3o andar do CCA com o Prof. Vinatea. Com os contatos dele aqui na América Central, consegui uma oportunidade na Costa Rica, numa fazenda de camarão. As informações eram: os chefes são exigentes, ela vai ficar numa "cabine" com ar condicionado, ela sabe dirigir moto? eles querem dar uma moto para ela ir para a fazenda"
Nessas horas eu sei até fazer malabares de ponta cabeça! Apesar de nunca ter subido numa moto, topei!
Tive menos de 1 mes para me preparar, nesse meio tempo aprendi a andar de moto, tentei vender todas minhas coisas para conseguir uma grana, e preparei minhas coisas.
Vim para cá com 100 dólares no dia 20 de junho de 2011. A chefe me buscou no aeroporto e acabou que tive uma grande sorte de ficar na casa deles, numa fazenda de 600ha, num lugar super bonito!
Já comecei o trabalho e nem vi o tempo passar. Acompanhei as atividades da fazenda nas primeiras semanas e preciso fazer um diagnóstico geral da fazenda, analisando todas as atividades e todas as características da fazenda.
Apesar de me sentir perdida um pouco, e não saber nem como começar o trabalho, estou me esforçando para aprender e relembrar, pois tivemos tudo na faculdade, agora COMO tivemos e O QUE aprendemos é outra história.
e os perigos? ah mãe é sossegado:
* Terremoto de 4.0 graus;
* Vários pontos de agua parada (e sim , ha dengue)
* Crocodilo de 3 m nos viveiros de camarão (ainda não vi)
* Compartilhar copos de plastico na cosecha, com refri com gelo do caminhao do camarão, ovo cosido e tortillas embaixo da chuva,
Com muita cerveja e duas garrafas de mezcal comemoramos o meu aniversário e nos despedimos de nossos queridos amigos no último sábado (21 de maio). A festa teve a verdadeira good vibration, porque não foi um clima de despedidas, e sim, de amizade, companheirismo e alegria. Agradecemos a presença de todos aqueles que compartilharam os momentos mágicos da festa. Amanhã partiremos rumo ao aeroporto de Guarulhos e na quarta estaremos em Lima. Aos amigos que aqui ficam, deixamos um saudoso abraço e um até logo. Beijos
Como eu tenho uma péssima memória, resolvi recorrer aos e-mails enviados a amigos e familiares durante aquele período em La Paz e dividi-lo em capítulos.
Ah sim, o tédio no paraíso!
Pôr-do-sol no Malecon
Este foi o assunto do meu e-mail na primeira semana. Os 25 dias que antecederam a minha chegada na Baja eu estava com minhas melhores amigas “las gurias”, tudo estava magicamente feliz! Eu tinha amigas, namorado, Burguer King, entretenimento, tudo ao meu alcance... até uma prima louca! Haha Quando eu escolhi fazer o estágio no CIBNOR (Centro de Investigaciones Biológica del Noroeste) foi por dois motivos: infra-estrutura e beleza natural na cidade. Bom, sempre que vamos viajar para algum lugar as duas primeiras semanas de adaptação são incrivelmente difíceis quando: se está sozinha; se mora a 10km do centro da cidade; ônibus a cada morte de Papa; atrás de sua casa é puramente deserto; e principalmente quando se mora no El Centenário.
Chabelita
Chabelita
O Dr. Magallon foi me receber no aeroporto, muito, mas muuuuito carismático! Ele me mostrou a cidade, CIB, o melhor taco de pescado que comi na vida e onde eu iria morar. Em La Paz eu fiquei na casa da Chabelita, uma senhora que vive com sua mãe, Dona Patita, e trabalha na biblioteca do CIB. Apesar de estar longe do centro da cidade, ficar na casa dela era muito agradável e conveniente, pois eu tinha carona pra ir pro estágio, TV a cabo, internet, comida pronta e um carinho todo especial que recebia. Eu até pensei em mudar pro centro, em um alojamento do CIB, mas mudei de idéia quando um dia eu estava totalmente entediada decorando todas as combinações possíveis do tetris e me bateu uma vontade imensa de tomar uma cerveja, bueno, desci e disse: CHABELITA, PRECISO DE UNA CHELA!! Hahahaha Ela prontamente disse: VAMOS POR ELLAS, MI HIJA!! Com as cervejas compradas, sentamos em poltronas e ficamos horas conversando sobre assuntos diversos. Conhecendo-a melhor, resolvi então ficar por ali.
A espera
Como cheguei ao início de janeiro, muitos pesquisadores estavam ainda de férias e tive que esperar alguns dias pra conhecer o Dr. Lechuga, com quem iria realizar o estágio sobre impacto ambiental da aquicultura. Isso teve um lado positivo porque durante uma semana acompanhei um experimento de doutorado sobre “alguma coisa bem específica do camarão com diferentes rações”. Ok, não me perguntem onde fica o Alegrete, beleza? Isso foi a mais de um ano atrás, acompanhei somente uma semana e não consta nada muito mais além do que “Hoje assisti uma apresentação da menina do doutorado, muito legal o projeto que está desenvolvendo!!” no meu e-mail.
CIBNOR
Conhecendo Dr. Lechuga
Dia 11 de janeiro conheci por fim o Dr. Lechuga, um senhor simpático, sério e com um conhecimento absurdo. Me apresentei, falamos um pouco sobre a minha idéia de estágio e ele tratou de me encaixar em uma pesquisa que estava sendo realizada em Balandra e Enfermeria. O Dr. Lechuga me apresentou Miguel, meu futuro companheiro de coleta e de laboratório de estudo. Depois me mandou uma pilha maior que eu de artigos e livros para que lesse até a outra semana e entendesse o que estaríamos fazendo. E mais uns 40gb de textos (beleza, isso é exagero meu... só que era muita coisa no pen drive!). Desta maneira as duas primeiras semanas do verdadeiro estágio foi somente leitura, tive que rebolar pra dar conta de ler aquilo tudo. Utilizei todos os artifícios: leitura dinâmica, estas três paginas não precisa, estas tabelas eu vejo depois. Tudo estava em espanhol e inglês, creio que depois daquilo tudo não teria professor de línguas que fosse melhor que eu. A minha salvação foi que na sala ao lado tinha o Paco, o Martin e uma cafeteira!
Da coleta
Como ficaria um pouco mais de um mês e meio, pude participar de apenas uma coleta. 5:30 da manhã e os meninos passaram lá em casa, compramos comidinhas e cervejinhas gatorade e voilà! estávamos nós indo pro primeiro dos 5 pontos de coleta de água. Apesar de La Paz não fazer frio no “inverno”, a temperatura da água não é a mais empolgante às 7h, por isso não quis ser voluntária para entrar na água, até tentei no último ponto, mas não deu. Em cada ponto obtínhamos da amostra: DBO e uma quantia reservada para análise dos nutrientes no laboratório.
Eu desistindo de entrar na água.
Laboratório de Análises Químicas da Água
Lab.
Azucena
Era o início da quarta semana em La Paz e as coisas mais emocionantes que tinha feito era ter ido ao supermercado, dois jantares com o Dr. Magallon e sua família e minhas chelas com a Chabelita. Confesso que até aqui a minha vontade era pegar o primeiro vôo para a Cidade do México. Como precisavam analisar as amostras da última coleta e outras mais, eu, a escraviáriaestagiária, fui parar no Lab. E a partir daí minha vida mudou: Azucena! Ela me ajudava a realizar as análises e logo me convidou pra andar de bike no Malecon, ir pro Salsipuedes (melhor bar, nas sextas tem promoção), enfim fiz amigos!!! =D
amigos no Salsi.
Já ia me esquecendo... No Laboratório de Análises Químicas de Água foram analisados fosfato, nitrato, nitrito, silicato e amônio das amostras utilizando procedimentos técnicos já estabelecidos.
ICAC
Umas semanas depois com o resultado dos nutrientes conheci a peça chave da minha ida ao CIBNOR o Dr. Renato. Ele desenvolveu no seu doutorado o Índice de Qualidade de Água Costeiro (ICAC, siglas em espanhol), este algoritmo é fundamentado nas concentrações de nitrato, nitrito, ortofosfato e amônia. Podendo ser aplicado para explorar as águas de reposição (as que se usaram nos tanques ou água limpa), assim como as residuais. O índice auxilia nas tomadas de decisões, por exemplo, quando utilizar os aeradores ou alimentar.
Com o apoio do Dr. Renato, meses mais tarde, realizei meu TCC utilizando este índice.
Cultura e curiosidades
Símbolo de La Paz
A cidade tem como símbolo a nadadeira caudal de uma baleia e/ou uma pomba, dependendo do ponto de vista. É a capital do estado, no entanto, diferentes das outras cidades que conheci no México, La Paz me pareceu mais organizada e limpa.
Há diversas praias como Tecolote, Balandra, El Tesoro, Pichilingue e Coromuel. Esta última pode-se ir de bicicleta, o valor do aluguel é em média de 30 pesos/hora.
Todas as praias são magníficas, água cristalina, ficam longe da cidade e só podem ir de carro (com exceção da Coromuel).
Praia Balandra
Eles também festejam o carnaval, claro do modo deles, eu diria que parece mais uma quermesse, jogos, shows, comidas típicas, parque de diversões... tudo acontece no Malecon. Eu fui no show do Panteon Rococo, uma banda mexicana de ska!!!!
Carnaval
No manches, pacifico de 2l?! eso es mi sueño, guey!! Carnaval sólo, NO se puede beber en la calle en Mexico!
Há tubarões baleia na região e se tiver sorte você pode nadar com eles. Em Lopes Mateus tem a temporada de baleias gris de janeiro a março, vale a pena ir conferir.
Lopes Mateus
Espero que vocês tenham gostado. Deixo pra vocês o som da banda Panteon Rococó que marcou a viagem.